Escrito por: Pedro Henrique Silva
- Olá, com quem eu falo?
- Kate
- Kate Doursting?
- Ela mesmo. Quem fala?
- Aqui é Fernando do Banco Florance, e estamos ligando para oferecendo uma oportunidade de negócio excelente....
- Sempre me ligam oferecendo propostas excelentes.
- Então, Senhora, se a senhora me der um minuto eu vou... – E ela havia desligado. Era a segunda ligação do dia e Fernando já não aguentava mais aquela quinta feira de 12 de Maio de 2017. O dia em uma nova era se iniciaria na Terra.
Mesmo só estando no início do turno, aquela foi a última ligação de Fernando no dia. Isso por que Patricia o chamou para ver a tv de seu celular. Uma enorme massa preta estava sobre Washington e, apesar das crescentes ameaças terroristas e da Coreia do Norte, ninguém tinha a menor dúvida que aquilo não era daqui.
- Cara, são aliens de verdade? – Perguntou Patrícia.
- Que isso, Patricia? Quer perder o emprego? – Disse Adam, o gerente do setor de Atendimento ao Cliente do Banco Florance.
- Não, Adam. Isso é ao vivo.
- É algum tipo de viral? – Perguntou James na mesa da frente.
- Acho que não. – Disse Fernando ao perceber que já havia mais cinco pessoas ao redor do pequeno celular de Patricia. Nenhum deles sabia o que estava por vir. Mesmo se soubessem que aquele era o início da invasão de uma raça alienígena à terra, ninguém saberia que em pouco mais de 5 meses de guerra os humanos já teriam derrotado boa parte dos alienígenas. Mas mesmo que soubessem que a invasão não seria tão parecida com as dos filmes, uma vez que os exércitos da terra puderam lutar quase que de igual para igual com os ETs, também não desconfiariam que dois bilhões de humanos teriam morrido no processo. E que os governos da Terra entrariam em um colapso econômico-social os quais levariam a raça humana ao seu pior momento.
Alguns países já tinham alguns governos estabelecidos ou em vias de o serem. Sobretudo os do hemisfério sul, os quais não foram tão atacados. Nos EUA, porém, havia apenas uma sombra de política. As regiões, um pouco menores que os estados de outrora eram comandadas por indivíduos que acreditavam que tinham o direito de governa-las. E eles repassavam o comando de regiões menores a indivíduos que as pudessem comprar.
Contudo, a moeda não era o dinheiro, mas armas, comida e cabeças de alienígenas. O líder de Phoenix era um homem chamado General Stuart. E negociar com ele não devia ser tão difícil. Fernando e sua equipe queriam simplesmente um pedaço da região da Universidade.
- Acontece, cara, que eu tive um monte de gente tentando tomar a Universidade. Nunca dá certo. Não sei se vale a pena – Disse o General Stuart
- Por que não? – Perguntou Fernando
- Sei lá porquê. Eles vêm aqui igual você tentando me pedir pra tomar a universidade e me trazer tudo que tem lá de bom. Mas nunca ninguém consegue. Eles nunca voltam com o que prometeram, e devem ter medo de voltar assumindo a derrota. Ou morrem lá mesmo. – Riu o General.
- E o senhor nunca foi curioso o suficiente pra ir lá ver do que se trata? Ou tomar a região pra você mesmo? – Perguntou Fernando.
- Então, cara, você sabe como eu tenho o controle da cidade toda?
- Você tem armas militares que foram usadas pra acabar com eles?
- Não! É assim que eu mantenho o poder. Há uma diferença grande aqui. Assim, eu fui tomando a cidade com ajuda de caras como você. Que vêm aqui, lindo, geralmente com mais uns 10 caras dizendo que vão dominar o prédio tal e me trazer tal coisa. Eu geralmente aceito. Mas no caso da Universidade... você vai ter que me convencer melhor.
- Porque não tentar? Sou eu que vou me ferrar. Você não vai ter prejuízo– Disse Fernando.
- Cara, você acha que você tá falando com um traficante? Eu quero recuperar esse país. Mas pra isso, caras como eu tem que eliminar os aliens e todos os conflitos. Mais tiroteio e mais caos? Não acho uma boa ideia. A cidade está muito mais segura depois que eu comecei.
- Está?
- Claro que está!
- Todo dia eu ouço novas explosões.
- Então, cara, essas são explosões pra manter a ordem em meio ao caos.
- Entendi. Então quero poder ir lá e matar todos os aliens que eu encontrar e te trazer toda arma. Pra manter a paz. Pra matar o caos. Pra assassinar a desordem. – Disse Fernando, ironicamente.
-Como você chegou aqui, cara? – Perguntou o General. Ignorando as ironias.
- Eu? Eu e meus amigos aqui estamos tentando administrar a região.
- Eu sei. Mas porque você quer isso, hein? Você era o que antes disso?
- Trabalhava em um banco – Respondeu.
- Exato, como você saiu de um bancário para um aspirante a...prefeito, cara?
- Bom, achamos que essa região merece uma liderança. Um norte, sabe? Pra reestabelecermos…
- Pfffffffffffff – Zombou o General. - Você quer sangue. Você tem sede de ação. Deixa eu adivinhar, papai era militar.
- Sim... – Disse Fernando.
- Claro. Então. Não! Eu não vou apoiar essa nova investida. Se você tomar a Universidade, ou seja, se você derrotar o que quer que haja lá, eu vou atrás de você em seguida.
- Por que?
- Porque você vai estar fraco, oras.
- E me dizer isso vai te ajudar como?
- Ué? Eu quero que você desista dessa ideia. Deixa a gente descobrir o que tem lá. Descobrir porque tanta gente cai. Tem um cara que conhece um cara que vai me trazer imagens de satélites da região. Não é prudente atacar sem saber porque o inimigo é tão forte.
- Eu sei porque! – Disse Fernando.
- Oi?
- Eu sei porque ninguém consegue dominar.
- E porque seria?
- Não vou contar. Pra você me matar e ir lá você mesmo? – Disse Fernando.
O General, lentamente, pegou sua escopeta deitada na mesa e apontou-a para Fernando e disse:
- Eu não sou desse tipo violento, cara! Eu só quero reorganizar esse país de merda. Eu to ajudando. Mas se você não me disser agora eu vou ter que te matar.
- Sem saber como tomar a Universidade?
- Você não é o único que sabe. E em duas semanas que devo saber o que tem lá.
- Assim, deixa eu ir lá. Não vou perder. Vou voltar aqui. Vou te trazer tudo que você quer e a gente vai ser...sócio na região. Do que você tem medo?
- Medo? Medo não, cara! Eu não quero mais conflitos. Sabe o que vai acontecer? Você tá dizendo que sabe de tudo, mas eu não sei se acredito. Você vai chegar lá, vai perder todas as suas armas, vai fortalecê-los ainda mais.
- Você não tem noção da minha força. Eu sei. Eu sei como derrota-los. E acredite: Não é nada complicado.
O General sorriu e abaixou a arma.
- Cara, se você perder e deixar mais um monte de arma para aqueles, sabe lá Deus o que... Se você não tiver morrido, eu te mato.
- Pode deixar.
- Ah, aí eu vou e mato todos seus amigos no prédio da Lindgart.
- O que? – Disse, Fernando
- Você acha que eu não sei onde eles estão?
- Ok... cara, vou trazer tudo que você quer. Eu prometo.
- Confio em você. Acredito em você, cara. Vai lá e traga o ouro pra mim, cara.
Fernando saiu convicto de que atacar o prédio G primeiro era um erro. O F seria mais fácil de tomar. Mas ele não iria mas trair o General Stuart, como pensava em fazer. Fernando sabia exatamente o que fazer. Ou quase.
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