sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ficção científica

Escrito por Pedro Henrique Silva

Não, não era um sonho, querido leitor. Talvez essa vai ser a hipótese que o senhor vai levantar quando o que aconteceu naquele dia lhe for contado por meio desse texto. Não. No final o nosso protagonista, o qual você está prestes a conhecer, não vai acordar assustado e pensar: “deve ter sido o bacalhau que eu comi ontem a noite, misturado com o filme que vi semana passada”. Não! Não é esse tipo de história que acontecerá agora com o nosso querido João Fernando. Não!
A existência de universos paralelos tem sido estudada há mais de dois séculos pela ciência humana O físico George Whitaker foi um dos pioneiros na busca por evidências que comprovaram que a raça humana está dividida entre vários universos. Na verdade, possivelmente infinitos universos. Cada escolha que fazemos cria um novo, portanto, não há como precisar quantos universos existem.
Você já deve estar impaciente com essa introdução. Mas ela se faz muito necessária para que nossa história seja entendida em sua complexidade e.... não consigo pensar em outro adjetivo que caiba aqui. “Inteligência”. Não sei. Talvez. O Word me recomendou “confusão” e “complicação” como sinônimos para ela. Eu poderia pesquisar no google agora um sinônimo ou outra palavra que não tivesse relação direta com complexidade e que coubesse nessa história. Mas sinceramente eu tenho medo de perder o meu fluxo de ideias. E o assunto o qual precisamos chegar imediatamente é muito sério. E o senhor leitor precisa entender tudo. Nos mínimos detalhes. Otherwise ficará perdido. Sim, eu usei uma palavra em inglês porque não quero perder o fluxo. E se eu resolvesse escolher outra palavra em português eu o perderia. Mas enfim, eu tive que jogar no corretor a palavra porque ela pode estar errada. Então eu me perdi no meu fluxo. Me perdoe.
Enfim, João era um rapaz muito bonito. Tinha exatamente 20 anos e voltava da faculdade. João trabalhava no supermercado do seu avô depois da aula, portanto era uma pessoa muito ocupada e que raramente tinha mais de 6 horas para dormir. Por esse motivo, João tinha que repousar no trem na volta para casa. Era um cochilo de mais o menos 32 minutos em média. O que não o fazia descansar exatamente, mas dava um certo repouso. Talvez ali a palavra “inteligente” coubesse. Ali, leitor. Naquele espaço em que há as reticências. São as únicas do texto. O senhor encontrará. Pensei em algo agora, não é um tanto quanto absurdo eu tratar o senhor por senhor apenas. Digo, é elegante, mas e as senhoras leitoras. Assumir que as senhoras leitoras não podem ler um conto de ficção científica avançado me parece um tanto sexista. Desculpa não usar a palavra “machista” a qual o senhor e a senhora devem estar mais acostumados. Mas, como fui educado em NYC eu não estou acostumado a usar essa palavra. Pra mim “sexista” é bem mais legal.
Bom, João entrou no trem e ainda estava calor. Uns 30 graus sem muitas nuvens. Esqueci de mencionar que João era um jovem paulista de 20 anos. Não posso me esquecer de colocar lá em cima essa informação. Pois farei um comentário agora que requer que eu tenha dito que João é paulista e mora em SP. Não que sempre que alguém é paulista mora em SP, mas assim o leitor, ou a leitora, vão entender o que estou falando. E por favor, não pense que estou me referindo a São Petesburgo quando uso SP. Isso vale para os futuros tradutores desse conto. Até porque primeiro que eu não sei se os russos (sim, São Petesburgo é na Rússia) se referem à cidade por SP. Acho que senhor foi pesquisar...ou a senhora, desculpe, essa informação. Tudo bem, depois volte aqui que a história precisa continuar. Aliás, estou preocupado, uma vez que há também senhoritas lendo essa história. De agora em diante tratar-te-eis melhor.
João entrou no trem e estava de dia e era muito quente. Ali dormiu. Quando acordou era um dia de perfeito inverno. Assim é SP (São Paulo), querido leitor ou leitora. Foi o que pensou, João. (Sem a parte do querido leitor ou leitora). Era uma garoa fina e fria. O dia lindo tinha se tornado um bem feio.
Então João saiu da estação e foi à sua casa. João vivia com a mãe, com o pai, e com a irmã...pelo menos era isso que ele pensava. Ele entrou em casa e encontrou sua mãe. E aqui a história começa a ficar estranha. Se estivéssemos num filme agora teríamos um aumento na música de suspense.
“Oi mãe”- João disse a sua mãe
“Oi filho. Tudo bem?” – Sua mãe respondeu
“Tudo. Cadê a Bia” – Disse João
Bia era a irmã de João. Os dois não se davam muito bem e nem muito mal. Era uma relação amistosa, mas não muito. Ela tinha 17 e ele 20. Mas isso já foi dito. Ou ele pensava que sim.
“Que Pia, filho?”
“A minha irmã. A Bia”
Nessa hora que a história fica complexa. João havia entrado em um buraco de minhoca no trem. Ele passou pelo Rio Tietê na viagem, e uma complexa e nada inteligente reação química, combinada com a radiação que seu fone de ouvido emitia. Ele entrara em um universo paralelo ao seu. Um que a “Bia” nunca tinha existido. A querida leitora deve estar se perguntando o que acontecerá agora. Como João voltará ao seu universo de origem. E quais as implicações de um provável encontro dos dois “Joões”. A senhorita, o senhor e a senhora podem relaxar. Porque o universo sabe o que faz.
Depois de alguns segundos, um efeito chamado “Efeito do Bambu”, fez com que João voltasse ao seu universo, sem que ninguém percebesse sua falta. João estava de novo na frente da sua mãe que lhe fitava com uma expressão menos confusa.
“Ah, a Bia tá no quarto”.
Creio que sei o que o senhor está pensando. A senhora e a Senhorita também. E queria agora dizer algo que o senhor, a senhora, a senhorita e o senhorito, vão se surpreender: Eu sou o João. E essa historia aconteceu comigo. Muito obrigado pela atenção e prometo seguir meus estudos a fim de resolver esse mistério e eventualmente voltar ao universo do qual eu saí.
Contudo, eu queria frisar aqui que eu não sou maluco. Há uma pista na história. Quase que impossível de ser encontrada, que explica tudo. Dica: tem a ver com àgua, banheiro, cozinha...

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