USP,
30/04/2040
Este relatório tem como objetivo
relatar brevemente minha primeira viagem na Máquina do Tempo que desenvolvi
graças à Universidade de São Paulo e a todos os meus orientandos e monitores.
Queria deixar claro que ninguém tinha ciência da minha empreitada e que agi
sozinho. Motivado por razões que em breve explicarei, mas já adianto que minha
missão era de suma importância, não só para mim, mas para toda universidade.
Sei que agora que a alteração já foi feita pode parecer inútil, mas acreditem
em mim, não era.
Voltei às 12h do dia 25 abril de 2018, dois
dias antes de meu próprio parto. Meu plano era bastante simples: Mandaria um
e-mail para minha mãe com toda a pesquisa de dois dos maiores cientistas da
história do Brasil. Cujos nomes eu queria que ela, sensibilizada pelas
evidências, escolhesse para seu filho a poucos dias de nascer. Sem a menor
dúvida, quando ela visse as contribuições de Bartolomeu de Gusmão e Adolpho
Lutz para a ciência brasileira, ela com certeza escolheria para mim o nome de
Bartolomeu Adolpho da Silva. O nome mais distinto e significativo para um homem
das ciências como eu. Muito melhor que “Paulo da Silva” - que era meu nome
antes da mudança. O cúmulo da simplicidade. Nome esse que eu compartilhava com
mais de 10 milhões de indivíduos só no Brasil.
Só poderia ficar 50 horas naquele
ano, portanto, para conferir se minha mãe tinha de fato mudado de ideia, segui
meu pai até o cartório – mesmo que fosse arriscado, já que meu pai escolheu o
fim da manhã do dia 27 de abril para me registrar - e fiquei atrás dele na fila. Quando chegou
sua vez de ser atendido, ele para meu desapontamento, disse o mesmo pelo qual
eu estava acostumado a ser chamado. Todavia, eu não desistiria assim, e me
aproveitando da semelhança que compartilhava com meu pai, e do fato de que eu
tomara posse de seus documentos velhos quando saí do ano de 2040, esperei
alguns minutos depois que ele deixou as dependências do cartório, e fui ao
mesmo atendente para pedir que trocassem o nome. Passei três horas assinando
uma série de documentos – o que me deixou a minutos de ter problemas - e pude
finalmente registrar o nome que gostaria: “Bartolomeu Adolpho da Silva”. Saí
satisfeito do cartório e confiante de que fiz uma boa escolha. Embora com tanta
pressa que não tive certeza de que o rapaz entendeu o nome que dei. Então, avancei
para nosso tempo – com cerca de 3 minutos sobrando.
Quando cheguei em meu laboratório,
não podia conter a alegria de ter feito minha máquina do tempo e mal podia
esperar para buscar meus documentos e finalmente encontrar um nome que eu
gostava. Depois de anos lutando,
finalmente meu trabalho seria recompensado. Peguei minha carteira crente que
havia conseguido. Seria finalmente respeitado e agora teria um nome grandioso.
Um que de fato fazia jus à minha invenção e um pelo qual eu poderia ser famoso
e lembrado. Não apenas confundido com qualquer professor de física de cursinho
conhecido como “Paulão”.
Mas, como você já deve saber agora,
houve um problema grave no cartório, seguido de uma terceira retificação por
conta dos meus pais, que não entenderam nada e haviam inclusive processado o
cartório pelo “erro grotesco” em meu registro. Contudo, até que gostaram de me
chamar de “Barto” e mantiveram algo do nome que escolhi. Todavia, não da forma
que eu queria.
Bartodolpho
Paulo da Silva.
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